Rui Falcão Ministro da Juventude acusado de “mentir” nas Nações Unidas

Rui Falcão Ministro da Juventude acusado de “mentir” nas Nações Unidas

Luanda – Em uma contundente conferência de imprensa, um porta-voz de um movimento juvenil angolano acusou o Ministro da Juventude e Desportos, Rui Falcão, de apresentar um retrato enganoso da realidade do país durante um discurso nas Nações Unidas. Segundo o orador, as declarações do ministro sobre habitação, agronegócio e formação profissional para os jovens são uma “autêntica outra face” que não corresponde à verdade vivida pela maioria.O principal ponto de discórdia foram as políticas de habitação. Enquanto o ministro teria destacado novos projetos habitacionais, o ativista lembrou que o próprio Presidente da República, João Lourenço, já declarou que “não haverá mais habitação para jovens”. O representante criticou o que chamou de contradição do governo, que alega não ter casas, mas as oferece seletivamente, como no caso dos jogadores da seleção de basquetebol, enquanto inúmeros projetos permanecem “engavetados e fechados”.A promessa de apoio ao empreendedorismo juvenil no agronegócio também foi duramente rebatida. O porta-voz afirmou que, na prática, “só faz agricultura quem tem poder e quem tem dinheiro” e que, apesar da vontade de muitos jovens em investir no setor, as oportunidades prometidas pelo governo não se concretizam.Outra área criticada foi a da formação técnico-profissional, descrita como um sistema de exclusão. O ativista denunciou que os cursos de qualidade, como os do INFOP, têm custos proibitivos que podem chegar a 600 mil kwanzas, tornando-os inacessíveis. Em contraste, os jovens de bairros como Cazenga e Viana são encaminhados para “pavilhões de artes e ofício”, que, segundo ele, oferecem uma qualificação precária, destinada a empregos mal remunerados, como “trabalhar nas obras de chinês para ganhar 20.000 kwanzas”.Ao final do seu pronunciamento, o orador enviou uma mensagem direta ao governante: “Ministro, deixa de mentir. Nós, os jovens, conhecemos a realidade de Angola”. Ele garantiu que as manifestações e as conferências de imprensa não irão parar até que os problemas da juventude sejam efetivamente resolvidos, afirmando que os jovens não pedem dependência do Estado, mas apenas “uma oportunidade para poder empreender”.