Sinal de Alerta para Economia Angolana: Investimento Estrangeiro Cai 40%, Fuga de Capitais Dispara Quase 900%

Sinal de Alerta para Economia Angolana: Investimento Estrangeiro Cai 40%, Fuga de Capitais Dispara Quase 900%

LUANDA – A economia angolana enfrenta uma dupla crise de confiança que ameaça o seu crescimento e estabilidade, segundo revelam os mais recentes dados do Banco Nacional de Angola (BNA). Os números do segundo trimestre de 2025 indicam uma queda homóloga de 40,08% no Investimento Direto Estrangeiro (IDE), ao mesmo tempo que o investimento de angolanos no exterior disparou uns alarmantes 895,29%.

A queda acentuada do IDE é um indicador direto da diminuição da confiança dos investidores internacionais no mercado angolano. Esta retração de capital estrangeiro, essencial para o financiamento de grandes projetos, a criação de empregos e a transferência de tecnologia, sugere que o ambiente de negócios do país é percebido como menos atrativo ou mais arriscado do que no ano anterior. As consequências a médio prazo podem incluir a estagnação de projetos de infraestruturas e uma pressão acrescida sobre a moeda nacional, o Kwanza.

De forma ainda mais dramática, o aumento exponencial do investimento angolano no estrangeiro caracteriza um fenómeno de “fuga de capitais”. Este movimento massivo de dinheiro para fora do país sinaliza que os próprios investidores e empresários nacionais demonstram uma profunda desconfiança na economia local, procurando mercados mais seguros e rentáveis para aplicar os seus recursos. Esta tendência drena a economia de capital que seria vital para o seu desenvolvimento interno, criando um ciclo vicioso de desinvestimento.

Analisados em conjunto, os dois indicadores pintam um quadro preocupante. Angola não só está a lutar para atrair capital de fora, como está a perder ativamente os recursos dos seus próprios cidadãos. A situação exige uma resposta urgente e estrutural para reverter a tendência, focada em restaurar a confiança de investidores, tanto nacionais como internacionais, e em criar um ambiente de negócios que incentive o reinvestimento no próprio país.