Denúncias de assédio, vigilância ilegal e uso de bens públicos para fins pessoais marcam a gestão de António José Sebastião, segundo funcionários da instituição.
LUANDA, ANGOLA – O Instituto Nacional de Estudos Judiciários (INEJ), entidade pública de Luanda, é o centro de um escândalo envolvendo acusações de opressão e abuso por parte de seu diretor-geral, António José Sebastião.
De acordo com informações obtidas pelo Club-K junto a fontes ligadas ao Ministério da Justiça, o clima na instituição é de “terror” e “opressão institucionalizada”, com denúncias que vão desde vigilância ilegal até assédio sexual.
Funcionários do INEJ, que representam cerca de 80% do quadro da instituição, teriam assinado uma carta-denúncia detalhando as acusações. O documento, que foi entregue ao ministro da Justiça e Direitos Humanos, Marcy Lopes, alega que António José Sebastião instalou câmeras de vigilância com áudio em diversos pontos do edifício, com acesso direto ao seu celular pessoal. A prática, que configura uma grave invasão de privacidade, é vista por um psicólogo ouvido pelo Club-K como “sintoma de um poder doentio”. O diretor-geral, segundo relatos, teria até se vangloriado de “assistir novelas em tempo real” no seu aparelho.
Além da vigilância, os trabalhadores denunciam uma gestão autoritária, marcada por perseguições, punições arbitrárias e descontos salariais indevidos. O documento também aponta casos de assédio sexual contra funcionárias e o uso de bens e veículos do INEJ para fins particulares.
Apesar da gravidade das acusações, os trabalhadores afirmam que a carta-denúncia, entregue há meses, foi “engavetada” pelo ministro Marcy Lopes, que teria uma relação de “amigo de dedo e unha” com o diretor-geral.
Em resposta à inação do governo, os funcionários ameaçam tornar o caso público nas redes sociais, caso as autoridades não tomem as medidas necessárias para resolver a situação. O comunicado, que ainda não foi divulgado, alerta que “o silêncio, neste momento, seria cúmplice”.
