Isto não é uma opinião de jornal baseada em percepções e palpites. São estudos de reputadas instituições que insistentemente desmascaram com factos e números a farsa desta governação.
Há duas semanas, o economista chefe do Banco de Desenvolvimento Africano (BAD) citou dados das Nações Unidas que espelham a pilhagem do país nos dias que correm. Joel Daniel Muzima precisou que pelo menos 1,2 mil milhões de dólares saem de Angola todos os anos de forma ilícita.
Outros 1,3 mil milhões de dólares de recursos orçamentais caem em saco roto, ao preencherem a rubrica das chamadas despesas ineficientes. Observadores que olharam com outra atenção para os números são menos simpáticos e indulgentes com o regime. Colocam muito mais por alto os números da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, considerando que muitos destes fluxos ilícitos saem do país sem nenhum registo no sistema bancário e financeiro. Em qualquer país digno do nome, estar-se-ia necessariamente diante de um escândalo. Se a justiça não movesse palha, os deputados levantariam a voz para exigir explicações. E mesmo que a justiça movesse palha, os deputados e os políticos teriam a obrigação de quebrar o silêncio. O espaço mediático pautaria os temas até à exaustão e a sociedade reagiria com o estrondo da indignação. Mas por cá, por Angola, os números apresentados pelo representante do BAD não exigiram além de umas chamadas num jornal de economia e alguns flashes em alguns noticiários radiofónicos.
Com uma ou outra vírgula a mais, o enredo repete-se com uma das incontáveis denúncias sobre os níveis escandalosos da crónica desnutrição no Sul do país. Desta vez, coube à Universidade do Porto (Portugal) recordar os números da vergonha.
Pesquisa indica que a situação atinge 50% das crianças com menos de cinco anos, no Cunene, na Huíla e no Namibe, e que apenas 3,5% têm uma alimentação minimamente aceitável, mostrando que globalmente, nos últimos 15 anos, no sul de Angola, o estado nutricional e as práticas alimentares de crianças com menos de cinco anos aparentam ter piorado.
Um estudo da Universidade portuguesa do Porto classificou como “muito alta” a desnutrição crónica na região Sul de Angola, que compreende as províncias do Cunene, Huíla e Namibe, apresentando um valor de 47,1%, sendo superior na Huíla e no Cunene, e alerta para o agravamento da insegurança alimentar na região.
De acordo com um trabalho publicado na “Acta Portuguesa de Nutrição”, assinado por Isa Viana, Carla Lopes, Duarte Torres e Rita Pereira Luís (Universidade do Porto), em coautoria com Ketha Francisco, do Ministério da Saúde de Angola, Liliana Granja e Sofia Rodrigues, da FRESAN/Camões, I.P., a Universidade do Porto revela que quase metade das crianças com menos de cinco anos no sul de Angola sofre de desnutrição crónica e apenas 3,5% tem uma dieta minimamente aceitável.
