Uma operação conjunta do Serviço de Investigação Criminal (SIC) e da Fiscalização das Pescas em Benguela, esta semana, resultou no encerramento de dezenas de salinas operadas por cidadãos asiáticos e na detenção temporária de funcionários. A ação, que coloca em risco cerca de 1.500 empregos, foi desencadeada devido ao uso de lonas plásticas no processo de produção, ocorrendo de forma precipitada e antes da conclusão de um estudo técnico prometido pelo próprio Ministério das Pescas para avaliar os impactos ambientais e de saúde do método.
BENGUELA – As autoridades provinciais encerraram esta semana dezenas de unidades de produção de sal que utilizam lonas plásticas, uma medida que ameaça deixar mais de 1.500 trabalhadores angolanos no desemprego. A operação, conduzida pelo SIC e pela Fiscalização das Pescas, foi considerada “precipitada” pelos operadores, pois aconteceu meses antes do prazo estabelecido por uma circular governamental e sem a conclusão de estudos laboratoriais prometidos pela ministra das Pescas, Carmen do Sacramento.
A ação surge em resposta a queixas da Associação dos Produtores de Sal de Angola (APROSAL), que acusa os operadores asiáticos de “concorrência desleal”. Segundo a associação, a venda do sal a 50 Kwanzas por quilo – muito abaixo do custo de produção nacional – está a levar as empresas angolanas à falência.
Enquanto os funcionários detidos durante a operação já se encontram em liberdade, a incerteza paira sobre os investidores chineses e vietnamitas. Eles argumentam que a circular da Direcção Nacional da Pesca e Sal lhes concedia um prazo de seis meses, até janeiro de 2026, para transitarem para o método tradicional. Agora, ponderam levar o seu “total desagrado” à ministra, enquanto analisam o mercado moçambicano como alternativa.

