O Banco Yetu voltou a ocupar manchetes, nacionais e internacionais, bem como as redes sociais, pelos piores motivos. Após sucessivas acusações de desvio de fundos públicos e branqueamento de capitais, a instituição é agora apontada como responsável por um alegado desfalque de cerca de meio bilião de kwanzas à Sonangol.
Ao longo dos anos, o Banco Yetu tem acumulado denúncias de irregularidades e violações graves dos princípios da banca comercial. Em vez de uma instituição financeira credível, é descrito por fontes da sociedade civil como um verdadeiro instrumento de delapidação da economia nacional e de branqueamento de capitais de origem duvidosa.
Um dos episódios mais emblemáticos envolve Exalgina Gambôa, ex-presidente do Tribunal de Contas, que acabou por se demitir e responder a um processo-crime na Procuradoria-Geral da República por peculato, extorsão e corrupção. O seu filho, Hailé Vicente da Cruz, foi igualmente constituído arguido.
As operações fraudulentas, realizadas no Banco Yetu entre Abril e Maio de 2021, corresponderam a 2,5 milhões de euros e 500 mil dólares, valores que acabaram bloqueados pelas autoridades portuguesas, que comunicaram o caso às autoridades angolanas.
Apesar da gravidade do caso, o desfecho do processo permanece desconhecido pela opinião pública, alimentando a percepção de impunidade.
Enquanto estes esquemas decorriam, o proprietário do banco e presidente da Mesa da Assembleia, Elias Chimuco, proclamava publicamente a ambição de posicionar o Banco Yetu entre as referências do sector bancário angolano, promovendo a inclusão financeira e o investimento na economia.
Para esse fim, foram remodelados os órgãos sociais, com a entrada de Abrahão Pio dos Santos Gourgel e Mário Gavião Gourgel na liderança da administração e da comissão executiva. Contudo, os factos observados no terreno mostram uma realidade totalmente inversa.
Fontes fidedignas defendem que a continuidade do Banco Yetu se deve a protecção ao mais alto nível. Membros do Conselho de Administração e da Comissão Executiva seriam figuras ligadas ao regime, com histórico de participação na delapidação do erário público.
A Procuradoria-Geral da República e o Banco Nacional de Angola, entidades que deveriam investigar e supervisionar, são acusados de inércia, apesar das múltiplas evidências e denúncias públicas.
A mais recente denúncia envolve um alegado esquema fraudulento nos Centros de Empresa do Banco Yetu, nas agências da sede e de Talatona, que terá resultado no desvio de cerca de meio bilião de kwanzas da conta da Sonangol.
Cinco gestores encontram-se sob investigação do Serviço de Investigação Criminal (SIC), em regime de Termo de Identidade e Residência, enquanto dois suspeitos, Janete Mingas e Gaspar Mendes de Carvalho, continuam foragidos.
“Este é mais um caso em que a culpa não pode morrer solteira.”
A sociedade angolana aguarda que este processo não seja abafado, como tantos outros, e que os responsáveis sejam exemplarmente responsabilizados, num país já marcado por séculos de sofrimento e por uma elite acusada de agir contra o interesse nacional.
