Escândalo no Kilamba Kiaxi: A “Cidade dos Motores” entre a Extorsão e a Cortina de Fumo
No epicentro do conflito está a Administradora Municipal, Naulila André, acusada de transformar a gestão de um dos maiores centros comerciais de peças automóveis do país — a “Cidade dos Motores” — num verdadeiro labirinto de irregularidades, intimidação e informações falsas dirigidas às instâncias superiores do Estado.
O ponto mais sensível da investigação, revelada na edição nº 169 do jornal Pungo a Ndongo, reside numa alegação classificada por várias fontes como uma verdadeira “mentira de Estado”.
Para justificar o encerramento forçado do recinto, a Administradora Naulila André afirmou publicamente que a Cidade dos Motores funcionava como base de uma rede de tráfico de drogas.
Sem provas, sem mandados e sem resultados concretos, a alegada “luta contra as drogas” surge agora como uma cortina de fumo para encobrir decisões administrativas de natureza duvidosa.
Se a droga não era o problema, o dinheiro parece estar no centro da equação. Comerciantes nacionais e estrangeiros, com destaque para a comunidade nigeriana, romperam o silêncio e denunciaram um esquema sistemático de extorsão.
- Cobranças ilegais: valores exigidos fora dos canais oficiais, sem entrada na Conta Única do Tesouro.
- Apropriação de bens: relatos de retirada de peças e viaturas sob coação administrativa.
- Asfixia económica: encerramento do recinto como mecanismo de pressão financeira.
Incapaz de apresentar provas, a resposta da administradora foi atacar o mensageiro. Naulila André avançou com um processo-crime contra o Director do Pungo a Ndongo e o autor da investigação.
Para organizações da sociedade civil e associações de jornalistas, esta atitude configura uma tentativa clara de intimidação e silenciamento da imprensa investigativa.
A pergunta que ecoa agora nos corredores do poder em Luanda é simples e grave: até quando o Governo Provincial permitirá ser “enrolado” por relatórios municipais que contradizem as investigações do SIC e da PGR?
