Análise do Cenário Político e Económico em Angola Rumo às Eleições de 2027

Análise do Cenário Político e Económico em Angola Rumo às Eleições de 2027

Luanda, 18 de agosto de 2025 – A aproximação das eleições de 2027 em Angola leva analistas e observadores a examinar a situação política e económica do país. 

O contexto atual é marcado por desafios que, segundo várias análises, poderão influenciar o próximo ciclo eleitoral.

Um dos conceitos utilizados para analisar o cenário político é a “Armadilha de Tácito”, que se refere a uma situação em que a perda de credibilidade de um governo leva a que as suas ações, mesmo as consideradas positivas, sejam recebidas com desconfiança pela população.

No plano económico, a situação é apontada como um fator de descontentamento generalizado. Em uma intervenção pública, o deputado Paulo de Carvalho mencionou a desvalorização salarial, exemplificando com o valor de um salário que, em 2017, correspondia a cerca de 5000 dólares, mas que mais tarde equivalia a aproximadamente 1000 dólares, refletindo a perda do poder de compra para as elites, classes médias e para a população em geral.

Dados oficiais também ilustram a deterioração das condições de vida. Um relatório recente da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) indica um agravamento significativo da situação alimentar entre 2021 e 2023.

O número de pessoas desnutridas aumentou de 6,8 para 8,3 milhões, com cerca de 28 milhões de angolanos a enfrentar insegurança alimentar moderada e 11 milhões em situação grave. O relatório destaca que 1,3 milhões de pessoas necessitaram de resposta humanitária urgente em 2023.

A flexibilização da taxa de câmbio do kwanza é um dos pontos de debate na política económica. A abordagem adotada em Angola é frequentemente comparada a outras, como a do governo de Javier Milei na Argentina.

Naquele país, o câmbio do peso não foi totalmente liberalizado de imediato.

Em vez disso, foram implementadas medidas iniciais como uma desvalorização controlada do câmbio oficial e a proibição de emissão de moeda para financiar o governo.

Outros aspetos abordados na análise incluem as políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e os seus resultados, bem como a continuidade da equipa económica liderada por Vera Daves e Lima Massano.

Há também observações sobre a gestão dos gastos públicos, com a ocorrência de adjudicações presidenciais que, segundo relatos, são realizadas sem concurso público, levantando questões sobre a transparência.

Ainda no campo da análise política, alguns teóricos aplicam conceitos filosóficos, como o adágio “primum vivere, deinde philosophari” (primeiro viver, depois filosofar), para explicar que as condições materiais de sobrevivência são a base de todas as outras aspirações.

Dentro de uma perspetiva marxista, a teoria do determinismo histórico seria usada para explicar que o desequilíbrio entre a “infra-estrutura” (condições materiais) e a “superestrutura” (instituições) poderia levar a condições objetivas para uma mudança social.

No âmbito do próprio partido no poder, fontes internas apontam para uma aparente desconexão de algumas lideranças com a realidade do país.