Conforme noticiámos,a sentença do ‘caso explosivos’ não encerraria com a condenação a 15 anos de prisão a João Deussino, pelo Tribunal da Comarca do Huambo, mas que o próximo passo sera a audição de altos dirigentes da UNITA
Trata-se de Adalberto Costa Júnior, presidente do partido, e Liberty Chiyaka, líder da bancada parlamentar, que seriam ouvidos na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal
(DNIAP), da Procuradoria Geral da República (PGR), segundo a pretensão manifesta-
da pelo Ministério Público (MP), em tribunal.
Enquanto se aguarda pela extradição das certidões dos dois responsáveis, para dar seguimento ao processo, surgem novos elementos sobre Liberty, no que concerne à sua suposta participação no processo.
Segundo apuramos, em Março de 2021, esse dirigente do maior partido na oposição adquiriu uma residência de 20 milhões de kwanzas, à Melinda Miapia,sogra do arguido João Gabriel Deussino, o principal cabeça do grupo, na cidade do Cuito, capital da província do Bié, na Rua Cipriano Pio, próximo à Escola 253.
Este é o álibi de Chiyaka, que alega que a sua relação com João Gabriel apenas foi por
compra da casa, por isso há registo na conta de dinheiros que foram depositados na con-
ta deste, mas, entretanto, não explica se o imóvel foi comprado em 2021, como manti-
nha contacto com João Gabriel até 2024, altura em que esse foi preso.
A pergunta que continua a ser levantada por especialistas em jurisprudência é saber o que levou o arguido Deussino recorrer a Chiyaka para ajudá-lo a sair de Angola, tendo garantido a sua hospedagem no complexo SOVISMO e os contactos no Lubango.
De acordo com fontes deste jornal, até ao momento, o líder do grupo parlamentar da
UNITA tem evitado falar sobre o caso, um silêncio que tem alimentado especulações
não só no seio do seu partido, mas também na sociedade angolana.
O que disse o Tribunal?
Durante a leitura do acórdão, o Tribunal da Comarca do Huambo confirmou a participação da UNITA em apoiar financeira e logisticamente o grupo, e revelou que Liberty Chiyaka mandou destruir as provas, pelo
que o Ministério Público requereu a extradição das certidões para outros procedimen-
tos que se impõe.
Refira-se que dos sete elementos, o tribunal absolveu apenas o réu Adelino Bacia, ao
passo que outros foram condenados nas penas que variam de 3 anos a 15 anos de prisão
efectiva, e os advogados de defesa recorreram da decisão.
Os réus estão a cumprir prisão na Unidade Penitenciária do Huambo, arredores da cida-
de, capital da província com o mesmo nome,sendo o único estabelecimento prisional da circunscrição, que num passado recente beneficiou de obras de restauro.
História do crime Sob o processo-crime 109/2025, segundo o Serviço de Investigação Criminal (SIC),
em Janeiro do ano em curso, as autoridades angolanas anunciaram o desmantelamento
deste grupo, que pretendia atacar objectivos estratégicos.
Estavam na mira o Palácio Presidencial da Ciade Alta, Refinaria de Luanda e armazéns
de combustíveis da Sonangol, na Boavista, a Embaixada dos Estados Unidos da Amé-
rica, em Luanda, e outros na província do Huambo.
Estas acções, segundo o porta-voz do SIC–Geral, superintendente chefe, Manuel Ha-
laiwa, teriam lugar em Outubro de 2024, durante a visita do presidente cessante norte- ame-
ricano Joe Biden.
João Deussino, que passa agora parte da sua vida em prisão, assumiu-se como presidente do Movimento Revolucionário Frente Unida de Reedificação da Ordem Africana (FUROA), e pretendia instaurar um novo regime em Angola.
Fundada em 2017, na província do Huambo, o FUROA mantinha ligações internacionais
e começou a ser monitorizado em Outubro de 2024 pelas autoridades e pretendia rea-
lizar acções terroristas para desestabilizar a ordem política e social do país.
As investigações para a detenção dos acusados contou com uma acção coordena-
da dos órgãos de inteligência nacionais e internacionais e das Forças Armadas
Angolanas(FAA).
Por : Pambo Ya Nzila
