Dois Pesos, Duas Medidas: O Silêncio da PGR perante o Luxo de Janete Bento e Erique Chabango

Retrato de Janete Bento e figura de autoridade angolana em trajes oficiais; denúncia de corrupção e luxo no Makamavulo News.

Dois Pesos, Duas Medidas: O Silêncio da PGR perante o Luxo de Janete Bento e Erique Chabango

Opinião & Investigação | Por: Antonio Garcia

Em Angola, a justiça parece sofrer de uma miopia seletiva que se agrava proporcionalmente à proximidade do suspeito com o palácio presidencial ou com a sede do MPLA na Maianga. O caso que envolve Janete Bento e Erique Chabango não é apenas uma história de ostentação; é a prova viva de que a PGR opera sob dois pesos e duas medidas.

A Justiça é Rápida para o Pobre, mas Cega para o Poder

Se estivéssemos a falar de um cidadão comum, sem o apelido “Bento”, e que subitamente aparecesse a circular num Rolls-Royce Cullinan de 600 mil dólares ou a movimentar fortunas em centros financeiros internacionais, a PGR já teria mobilizado o Serviço de Investigação Criminal (SIC). As contas seriam congeladas e as detenções preventivas seriam a manchete do telejornal.

No entanto, quando os protagonistas são a filha de um influente dirigente do partido e o seu genro moçambicano — que estrategicamente ocupa um lugar no comitê provincial do MPLA — o Ministério Público mergulha num silêncio ensurdecedor. Porquê?

Incompetência ou Encobrimento Institucional?

A questão que o Makamavulo News levanta é direta: a PGR não sabe o que está a acontecer ou escolhe não saber? As investigações jornalísticas já fizeram o trabalho de base. Os indícios estão lá:

  • Transações no Dubai: Rotas financeiras que ligam Luanda a contas interpostas no estrangeiro.
  • Património Incompatível: Como é que um casal, cujos rendimentos oficiais são conhecidos, consegue manter uma vida de magnatas no Dubai e em Moçambique?
  • A Conexão Bento Bento: O capital acumulado durante décadas de governação parece estar a ser “lavado” através de estruturas empresariais de fachada.

Ignorar estas evidências não é apenas incompetência técnica; assemelha-se a um encobrimento institucional. Ao não investigar, a PGR envia uma mensagem clara: se fores próximo o suficiente do topo da pirâmide do MPLA, as leis da República são meras sugestões.

O Combate à Corrupção: Realidade ou Marketing Político?

O Presidente João Lourenço fez do combate à corrupção a bandeira do seu mandato. Contudo, casos como o de Janete Bento e Erique Chabango colocam essa bandeira a meia haste. Se o combate à impunidade só serve para atingir adversários políticos caídos em desgraça, então não estamos perante uma reforma, mas sim perante um marketing político de fachada.

Diretor-Chefe: Jornalista Antonio Garcia

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