ESCÂNDALO NO MIREX: EX-CÔNSUL ARGUIDO INSPECIONA INSTITUIÇÃO QUE ALEGADAMENTE LESOU

ESCÂNDALO NO MIREX: EX-CÔNSUL ARGUIDO INSPECIONA INSTITUIÇÃO QUE ALEGADAMENTE LESOU
Escândalo no MIREX
ESCÂNDALO NO MIREX: EX-CÔNSUL ARGUIDO INSPECIONA INSTITUIÇÃO QUE ALEGADAMENTE LESOU
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EX-CÔNSUL ARGUIDO POR CORRUPÇÃO LIDERA INSPEÇÃO EM LISBOA • PROCESSO 6763/2022 NO DNIAP CONTINUA SEM DESFECHO • CASO LEVANTA SUSPEITAS SOBRE COMBATE À CORRUPÇÃO •

Escândalo no MIREX

Narciso do Espírito Santo Júnior, alvo do processo 6763/2022, terá sido enviado para inspecionar o Consulado em Lisboa

LISBOA – O Ministério das Relações Exteriores de Angola (MIREX) está no centro de uma nova polémica que coloca em causa a credibilidade da luta contra a corrupção no país.

Narciso do Espírito Santo Júnior, antigo cônsul de Angola em Lisboa, terá regressado à capital portuguesa no passado dia 9 de fevereiro, não para responder à justiça, mas para liderar uma inspeção à instituição onde é acusado de ter cometido irregularidades financeiras.

O processo no DNIAP

O nome do antigo diplomata consta no processo-crime n.º 6763/2022, sob alçada da Direção Nacional de Investigação e Ação Penal (DNIAP). Apesar da gravidade das acusações, o processo é descrito por fontes próximas como estando parado nas gavetas da Procuradoria-Geral da República.

A presença do ex-cônsul em Lisboa, agora como inspetor, é interpretada internamente como um desafio às orientações presidenciais sobre probidade pública.

Interrogações sobre a tutela

A missão levanta suspeitas sobre o critério de seleção do ministro das Relações Exteriores, Tete António. No meio diplomático e jornalístico surgem várias perguntas:

Como pode um arguido em processo de corrupção inspeccionar a própria instituição que terá lesado?

Estará o ministro a agir à revelia das orientações presidenciais ou existe proteção deliberada ao antigo cônsul?

Impacto político e institucional

A denúncia aponta para o que analistas classificam como “corrupção seletiva”, onde figuras com processos pendentes continuam a exercer cargos de influência e controlo.

Especialistas consideram que este tipo de situação desgasta a imagem do MPLA e do Governo perante a comunidade internacional e a diáspora angolana, projectando uma percepção de impunidade.

O desafio da transparência

Até ao momento, o ministro Tete António não se pronunciou oficialmente sobre a nomeação. O espaço permanece aberto para que o MIREX, a IGAE e a PGR esclareçam o estado do processo 6763/2022 e os fundamentos legais que permitiram a designação do antigo cônsul para a missão de inspeção.