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HORA DE ANGOLA:
Eugénio Neto e o marido da Ministra das Finanças, César Sousa, dois corruptos unidos contra o combate a corrupção
Num momento em que o nome de Manuel Vicente — antigo PCA da Sonangol e ex-vice-presidente da República — volta a figurar nas manchetes por acusações de corrupção e pelas manobras alegadas para protegê-lo, surgem novas interrogações sobre um dos seus supostos comparsas: Eugénio Neto, proprietário da LS Produções e ex-vice-presidente da Espírito Santo Comercial (ESCOM).
Eugénio Neto aparece mencionado num extenso relatório de sete mil páginas que descreve alegados esquemas de apropriação indevida, listando contas bancárias, bens e participações empresariais de dezenas de cidadãos apontados por delapidar o erário público. Embora sobre o empresário se tenha dito muito publicamente, fontes e documentos indicam que há ainda factos mantidos nos bastidores que ligam elites económicas e políticas a práticas pouco transparentes.
Nos últimos dias, múltiplas notícias voltaram a apontar o empresário, relacionando-o a “máfias” que terão prejudicado gravemente a economia angolana. As ligações entre Eugénio Neto e Manuel Vicente remontam ao período em que ambos mantinham estreitas relações com o Grupo Espírito Santo (GES) e a ESCOM, que detinha participação no então Banco Espírito Santo Angola (BESA) — hoje Banco Económico. Na altura, Manuel Vicente integrava um núcleo de poder próximo de figuras militares e empresários que, segundo investigações e denúncias, cruzaram interesses públicos e privados em negócios com parceiros estrangeiros.
Paralelamente, surge no centro do debate o nome de César Sousa, ligado a negócios em que figura Eugénio Neto. César Sousa é presidente do conselho de administração da Viva Seguros, empresa que, segundo reportagens, passou a gerir as apólices de seguro de saúde, viagem e automóvel de deputados da Assembleia Nacional, da Presidência da República e de tribunais. A contratação — apontam fontes — foi feita sem a realização de um concurso público transparente e terá beneficiado a Viva Seguros, parte do Grupo Carrinho, conjunto empresarial frequentemente associado ao círculo do Presidente da República.
Fontes jornalísticas apontam que, nos últimos três anos, os custos com seguros para a Assembleia Nacional cresceram de forma substancial. Dados citados pelo jornal Expansão indicam que a despesa passou de cerca de 10 milhões Kz para 4 mil milhões Kz neste ano, um aumento que representa 40.113% em relação a 2024. Desses valores, aproximadamente 3 mil milhões Kz seriam destinados a seguros de saúde. O aumento e a forma de adjudicação provocaram críticas internas e levantaram suspeitas sobre a existência de facilitação por parte de membros da própria instituição em troca de comissões.
César Sousa, além de administrador da Viva Seguros, tem ligações pessoais ao aparelho do Estado: é marido da ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa. A conjunção entre laços familiares, contratos públicos e participações empresariais intensifica as preocupações sobre conflitos de interesses e a falta de transparência no uso de recursos públicos.
As denúncias e as ligações entre Eugénio Neto e figuras do poder colocam em evidência a fragilidade de mecanismos de controlo num contexto em que alegações de corrupção continuam a marcar a agenda pública. Fontes e documentos consultados por esta redação sugerem que tanto Eugénio Neto como César Sousa teriam interesses que se sobrepõem aos esforços formais de combate à corrupção anunciados pelo Executivo.
