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HORA DE ANGOLA:
ESCÂNDALO NA AGT: Julgamento revela desvio superior a 100 mil milhões de kwanzas enquanto finanças públicas enfrentam crise quadrilha da Vera Daves tentam defender os gatunos
Luanda — 5 de Março de 2026
O mediático julgamento conhecido como “caso AGT/2025” continua a expor alegados esquemas de corrupção e desvio de fundos públicos dentro da Administração Geral Tributária (AGT), num processo que envolve cerca de 30 arguidos acusados de defraudar o Estado angolano em mais de 100 mil milhões de kwanzas.
Durante as alegações apresentadas pelo Ministério Público (MP), o magistrado Edson Faria afirmou que existem provas documentais e periciais suficientes para demonstrar que os arguidos actuaram de forma deliberada para lesar o erário público, transformando a fraude numa prática recorrente dentro do sistema.
Segundo a acusação, parte significativa do dinheiro desviado foi utilizada para luxos e gastos extravagantes dentro e fora do país.
7 milhões de kwanzas numa noite
Um dos exemplos citados pelo Ministério Público refere-se a um dos arguidos que, numa única noite de diversão, terá pago cerca de 7 milhões de kwanzas para obter prazeres sexuais, revelando o nível de ostentação associado ao alegado esquema.
Outros envolvidos, de acordo com o MP, circulavam em viaturas de luxo avaliadas em vários milhões de kwanzas, enquanto alguns eram vistos no mercado informal dos Mártires de Kifangondo, em Luanda, transportando caixas térmicas e caixotes de papelão cheios de dinheiro para aquisição de divisas no mercado paralelo.
Para a acusação, os envolvidos demonstravam uma mentalidade de impunidade.
“Para eles, o dinheiro não era muito porque acreditavam que o país é rico”, destacou o magistrado.
Funcionários bem remunerados acusados de trair o Estado
O Ministério Público sublinha que muitos dos arguidos eram funcionários bem remunerados da própria AGT, instituição responsável pela arrecadação de receitas do Estado.
Segundo o magistrado:
“Estes funcionários defraudaram a expectativa dos angolanos que acreditaram que eram competentes e bons servidores públicos.”
A acusação indica ainda que apenas um dos arguidos terá se apropriado indevidamente de mais de 2 mil milhões de kwanzas entre 2022 e 2025.
Dinheiro da fraude seria investido em criptomoedas
Outro dado revelado durante o julgamento indica que um dos envolvidos já se preparava para transferir parte dos valores ilícitos para criptomoedas, numa tentativa de ocultar os recursos obtidos através do alegado esquema.
PCA da AGT citado pela defesa
A defesa dos arguidos contesta as acusações do Ministério Público e questiona o facto de o MP não ter considerado plenamente as declarações do presidente do Conselho de Administração (PCA) da AGT, José Leiria, apontado como principal testemunha do processo,este que tem a Ministra Vera Daves que o proteje do cargo devido as negociatas dos dolares da rua 15 no MARTIRES DE Kifangondo segundo a nossa fonte o esquema tem ramos com a chefia liderada pela Vera,foi por este motivo que o PCA da AGT entregou se de peito erguido em desefa dos gatunos ,com o negocio dos dolares a quadrilha construiu um vasto imperio milhonario fora do control das autoridades.
Enquanto isso, cresce o debate público sobre o papel da liderança da instituição, num momento em que Angola enfrenta sérios desafios financeiros e sociais.
29 arguidos podem ser condenados
Dos 30 arguidos envolvidos no processo, apenas Solange Nunes teve pedido de absolvição por parte do Ministério Público.
Para os restantes — entre os quais Alípio João, Pedro Lumingo, Ziras Gaspar, João Love, Emanuel Carvalho, Tiago dos Santos, Ludgero Silva, Noé da Costa, Célia Joaquim, Irene Domingos, Luciano Ferreira, Nani Banesta, Ali Noureddine e Kiame Saúde, além de diversas empresas — o MP solicitou condenação criminal.
Julgamento continua
O processo encontra-se actualmente na fase de alegações finais e prossegue na sala de audiências do Tribunal Supremo, utilizada temporariamente pelo Tribunal da Comarca de Luanda.
O caso é considerado um dos maiores escândalos financeiros recentes envolvendo a Administração Geral Tributária, levantando sérias questões sobre transparência, controlo institucional e gestão das finanças públicas em Angola.
