Ramos-Horta sugere Emirados Árabes Unidos para sede da ONU
O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, defendeu que a sede das Nações Unidas deveria ser nos Emirados Árabes Unidos (EAU), onde foi proclamada a Declaração sobre Fraternidade Humana para a Paz Mundial e a Convivência.
O também prémio Nobel da Paz discursava, na quinta-feira, dia 5, durante a Cimeira Mundial de Governos 2026, que decorreu no Dubai, após ter participado em Abu Dhabi nas cerimónias da Fraternidade Humana.
O Documento sobre a Fraternidade Humana para a Paz Mundial e a Convivência Comum foi assinado em Fevereiro de 2019 pelo Papa Francisco e pelo Grão Imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, representando um marco para a promoção da paz e da convivência entre pessoas de diferentes religiões.
O evento “consolidou o papel único que os Emirados Árabes Unidos passaram a ter: um refúgio de paz, espaço de encontros entre inimigos, senhores da guerra e diferentes facções políticas e tribais”, afirmou o Presidente timorense.
José Ramos-Horta disse que talvez seja nos Emirados Árabes Unidos que uma nova ordem mundial, baseada no espírito da Declaração sobre a Fraternidade Humana, “emerja do caos moral da desordem global actual”.
“Ao imaginarmos esta nova ordem mundial, devemos começar a imaginar também uma nova sede das Nações Unidas mais próxima dos dois terços da humanidade que vivem no sul global”, salientou.
O Presidente considerou que a tolerância, a mediação e a solidariedade humanitária são três princípios indispensáveis à paz e estabilidade internacional, destacando o papel dos Emirados Árabes Unidos como mediadores e promotores da convivência.
“Tolerância, mediação e ação humanitária estão profundamente interligadas. A tolerância reduz as raízes do conflito, a mediação limita a sua escalada, e a assistência humanitária aborda o custo humano”, afirmou.
“À medida que os desafios globais se tornam mais complexos, esses exemplos lembram-nos que o diálogo, a compaixão e o engajamento internacional responsável continuam a ser ferramentas essenciais para construir um mundo mais pacífico e humano”, concluiu.
