Presidente do Tribunal de Contas, Sebastião Gunza ele não protege apenas a sua imagem; ele fragiliza a credibilidade do próprio Tribunal

Presidente do Tribunal de Contas, Sebastião Gunza ele não protege apenas a sua imagem; ele fragiliza a credibilidade do próprio Tribunal
Análise • Tribunal de Contas

O Sol, a Peneira e o Tribunal: A Cortina de Fumo no TC

O Tribunal de Contas de Angola deveria ser o santuário da transparência, o local onde cada kwanza público é escrutinado com rigor matemático. No entanto, o que assistimos hoje é uma inversão de papéis perigosa: em vez de contas claras, temos narrativas fabricadas; em vez de relatórios técnicos, temos artigos de encomenda em blogues de conveniência.

O “Contra-Ataque” de Conveniência

A estratégia de Sebastião Gunza parece clara: perante o volume crescente de denúncias sobre gastos sumptuosos na sede do Tribunal e na frota de veículos, a resposta não surge através de um comunicado oficial ou de uma auditoria independente. Surge, estrategicamente, em portais de notícias cinzentos, pintando o magistrado como um “justiceiro solitário” perseguido por marimbondos.

As Perguntas que a Peneira não Esconde

Tapar o sol com a peneira funciona até que a luz da realidade se torne demasiado forte. Se a gestão é tão íntegra como dizem os blogues, por que razão:

O sigilo impera sobre os custos reais das recentes reformas e aquisições de luxo no tribunal?

A comunicação é feita via “influencers” e não por canais institucionais robustos?

A crítica é tratada como difamação, em vez de ser respondida com factos e números auditáveis?

Quando a transparência precisa de intermediários informais, o problema raramente é de comunicação — é de credibilidade.

O Risco para a Instituição

Quando o Presidente de uma das mais altas cortes do país recorre a “testas de ferro” digitais para se defender, ele não protege apenas a sua imagem; ele fragiliza a credibilidade do próprio Tribunal. Um juiz fala nos autos e decide por acórdãos. Quando começa a “discutir” a sua honra através de portais de fofoca política, o Tribunal de Contas deixa de ser um órgão de fiscalização para se tornar um campo de batalha de relações públicas.

Conclusão

Angola já não é o país do silêncio absoluto. A tentativa de rotular qualquer crítica como “campanha de grupos interessados em roubar” é um argumento gasto que já não convence quem paga impostos. A transparência não se encomenda a bloggers; a transparência exerce-se com as contas abertas sobre a mesa.