LUANDA — Somos a juventude de Angola, a geração que carrega a responsabilidade de construir o futuro. No entanto, o nosso caminho é travado pela falta de apoio e de investimento na ciência, uma área vital para o progresso da nossa nação. Recentemente, fomos confrontados com a dura realidade de um ranking internacional que coloca Angola na 182.ª posição em investigação científica. Este número não é apenas uma estatística; é o reflexo da nossa luta diária.
Nós, estudantes e jovens investigadores, sentimos na pele as consequências desta inércia. As infraestruturas são insuficientes, o financiamento é precário e a falta de vontade política atira a ciência para o fim da lista de prioridades. O orçamento de 137,5 mil milhões de Kz para o desenvolvimento da ciência e tecnologia em 2025 é uma promessa vazia quando apenas 10,7% do valor é, de fato, desembolsado no primeiro semestre.
É inaceitável que o nosso potencial seja desperdiçado por falta de condições. Queremos contribuir para a solução dos problemas do nosso país, desenvolver a tecnologia e o conhecimento que Angola tanto precisa. Mas, para isso, clamamos pelo apoio do Governo.
Principais Dados do Relatório
- Instituições: Apenas 23 instituições angolanas foram classificadas. A Universidade Agostinho Neto (UAN) é a mais bem colocada, mas ocupa o lugar 15.344 do ranking global. Outras instituições, como a Clínica Girassol e o ISPTEC, também estão no top 5 angolano.
- Investigadores: O relatório contabilizou 188 investigadores angolanos. O professor do ISPTEC, António Chivanga Barros, lidera a lista angolana, mas está na 645.944.ª posição mundial. O atual Ministro do Ensino Superior, Albano Ferreira, também aparece na lista.
- Metodologia: A classificação da AD Scientific Index é baseada na avaliação de perfis públicos do Google Scholar, medindo o volume de trabalhos publicados e o impacto das citações.
Exigimos que a investigação científica deixe de ser uma mera promessa no papel e se torne uma prioridade estratégica real. O nosso apelo é um grito por ação: invistam em laboratórios, apoiem a nossa formação e libertem os fundos já prometidos. O futuro de Angola não pode ser construído com base na importação de conhecimento, mas sim na sua produção. O nosso lugar não é na cauda dos rankings, mas na liderança da inovação em África. Dêem-nos as ferramentas, e nós faremos o trabalho.
