“Vivemos pior que animais”: denúncia de moradores expõe crise habitacional em Angola

“Vivemos pior que animais”: denúncia de moradores expõe crise habitacional em Angola

Sem casas dignas, famílias sobrevivem em condições precárias, clamando pela atenção do Estado.

Um vídeo que circula nas redes sociais voltou a expor a dura realidade de centenas de famílias angolanas que vivem sem acesso a habitação condigna. No testemunho, gravado numa zona periférica, um morador de 65 anos descreve a vida em condições degradantes:

“Hoje estamos encurralados nas capoeiras, pior que os porcos, porque até eles têm um curral para dormir. Nós não temos nada”, lamenta.

Segundo o depoimento, muitas famílias que antes tinham casas foram deslocadas e agora sobrevivem em abrigos improvisados, à mercê da chuva e sem condições mínimas de higiene e segurança.

A situação atinge também as crianças. “Como vou formar um filho, se eu próprio não tenho uma casa condigna? Onde é que ele vai estudar?”, questiona o camponês, denunciando a falta de futuro para os mais jovens e a ausência de empregos, mesmo para quem conclui o ensino superior.

O desespero é visível: moradores dizem que muitas vezes precisam vender folhas colhidas no mato para poder comprar comida. “Estamos a sofrer. Queremos que alguém olhe por nós. Somos seres humanos como todos os outros”, reforça o entrevistado.

A denúncia chega num momento em que o custo de vida continua a subir em Angola, aumentando a pressão sobre as famílias mais pobres. Apesar de programas públicos de habitação, como o projeto Kilamba e outros empreendimentos sociais, grande parte da população continua sem acesso a casas dignas, vivendo em musseques ou em condições de extrema precariedade.

Organizações da sociedade civil têm apelado ao governo para acelerar políticas habitacionais inclusivas e garantir o direito constitucional à moradia, lembrando que a crise habitacional agrava a pobreza, a exclusão social e a desigualdade no país.

Enquanto isso, nas comunidades esquecidas, a espera por uma resposta parece interminável.