Explosões em Doha levantam tensão no Golfo; Catar denuncia “violação flagrante” da sua soberania e ONU alerta para risco de colapso das negociações.
Israel assumiu a autoria de um ataque aéreo contra a liderança do Hamas em Doha, capital do Catar, na terça-feira (9). A ofensiva ocorreu no momento em que o grupo palestiniano avaliava uma proposta de cessar-fogo apresentada pelos Estados Unidos para a Faixa de Gaza.
Segundo a imprensa internacional, o alvo foi Khalil al-Hayya, um dos principais dirigentes exilados do Hamas e figura central nas negociações de trégua. Ainda não há informações confirmadas sobre vítimas.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, declarou que “Israel o iniciou, Israel o conduziu e Israel assume total responsabilidade”, justificando a ação como resposta a ataques recentes em Jerusalém e em Gaza.
A reação internacional foi imediata. O Catar, que até aqui atuava como mediador entre Israel e Hamas ao lado do Egito, condenou o bombardeamento, chamando-o de “ataque covarde” e uma “violação flagrante de todas as leis e normas internacionais”. O Egito também criticou a ofensiva, alegando que os líderes atingidos estavam reunidos para discutir formas de avançar num acordo de cessar-fogo.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o ataque como “uma grave violação da integridade territorial do Catar” e alertou que “todas as partes devem trabalhar para alcançar um cessar-fogo permanente, não destruí-lo”.
A escalada coloca em risco as já frágeis negociações para encerrar a guerra em Gaza e libertar os reféns ainda mantidos pelo Hamas. O Fórum de Reféns e Famílias Desaparecidas, em Israel, disse estar em “profunda preocupação e grande medo” de que o ataque comprometa qualquer hipótese de acordo.
O episódio também expõe Israel a maior isolamento diplomático, uma vez que países do Golfo — incluindo Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — manifestaram solidariedade ao Catar e condenaram a ação.
