Willy Guimarães e Aníbal António Vuma “guerra aberta” entre administradores no porto de Luanda

Willy Guimarães e Aníbal António Vuma "guerra aberta" entre administradores no porto de Luanda

O Porto de Luanda atravessa uma das fases mais turbulentas de sua história recente. Fontes internas revelaram ao Agita News que uma guerra aberta entre administradores mergulhou a instituição estratégica do país em um clima de caos, suspeição e confrontos pelo poder. No centro da tempestade estão dois nomes com forte influência política: Willy Guimarães, administrador da Direcção de Infraestruturas, Obras e Aprovisionamento (DIOA), e Aníbal António Vuma, administrador de Estratégia, Segurança e Ambiente — descrito como homem de confiança dos serviços de inteligência (SINSE). O conflito, antes contido nos bastidores, explodiu publicamente quando Willy Guimarães acusou o técnico Emanuel Vuma, sobrinho de Aníbal Vuma, de espionagem interna, alegando que estaria a “levar informações confidenciais ao seu tio”. O episódio chocou colaboradores e instalou desconfiança, revolta e humilhação generalizada.“ Foi uma ofensa gratuita. A partir daí ninguém confia em ninguém. Criou-se um ambiente tóxico”, revelou ao Agita News um funcionário da DIOA, sob anonimato. Fontes do Porto relatam ainda que há rumores internos de que Aníbal Vuma mantém colaboradores próximos em várias áreas do Porto, ligados à sua rede de influência na segurança, gerando uma percepção de vigilância constante que mergulha a empresa num clima de medo, intriga e espionagem. De acordo com o Agita News, esta disputa vai muito além de desentendimentos pessoais: trata-se de uma guerra por controlo e protagonismo político, alimentada por alianças com figuras do topo do poder.Willy Guimarães, conhecido por se apresentar como amigo pessoal do ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, e por insinuar ligações à Primeira-Dama, Ana Dias Lourenço, através do alegado testa-de-ferro Hélder Coelho” Vuty”, é apontado por colegas como alguém que age acima das hierarquias, certo da sua proteção política.“ Ele sente-se acima de tudo e de todos. Diz que tem a bênção dos grandes e que ninguém lhe toca”, denunciou uma fonte interna ao Agita News. O administrador terá ainda organizado um almoço de luxo com colegas da DIOA, onde, após excessos de álcool, proclamou ser “bilionário” e prometeu “grandes mudanças no Porto”, num gesto visto por muitos como ostentação e abuso de poder. O episódio, amplamente comentado nos corredores da instituição, acentuou o mal-estar e tornou explícito o clima de impunidade e rivalidades internas que domina o Porto de Luanda.“ Enquanto os trabalhadores lutam para manter a dignidade e o emprego, há dirigentes que tratam a empresa como palco de vaidades e influência política”, lamentou outro funcionário ao Agita News. Por se tratar de uma empresa estratégica para o Estado e para a economia nacional, esperava-se que o Porto de Luanda fosse exemplo de disciplina, coesão e transparência. O que se vê, no entanto, é uma administração fragmentada, dominada por ambição desmedida e jogos de poder, que ameaça a coesão interna e mina a confiança institucional. Analistas ouvidos pelo Agita News alertam que a politização e a disputa pelo controlo interno podem gerar consequências graves para a gestão de um dos pilares logísticos do país. O que começou como um conflito interno transformou-se numa verdadeira guerra institucional, com contornos cada vez mais perigosos e imprevisíveis. E a pergunta que agora ecoa nos corredores da instituição é a seguinte: Quem, afinal, controla o Porto de Luanda? O Estado ou os interesses privados e pessoais de seus próprios administradores?