ANGOLA : Assinaturas para exoneração do ministro corrupto da Justiça e dos Direitos Humanos de Angola, Marcy Lopes

ANGOLA : Assinaturas para exoneração do ministro corrupto da Justiça e dos Direitos Humanos de Angola, Marcy Lopes
Oficiais de justiça recolhem assinaturas contra ministro da Justiça
ANGOLA : Assinaturas para exoneração do ministro corrupto da Justiça e dos Direitos Humanos de Angola, Marcy Lopes

Oficiais de justiça angolanos iniciaram esta semana uma recolha nacional de assinaturas para exigir a exoneração do ministro corrupto da Justiça e dos Direitos Humanos, Marcy Lopes, numa iniciativa de natureza sindical e política que reflecte o agravamento da crise no sector.

A iniciativa é promovida pelo Sindicato dos Oficiais de Justiça de Angola (SOJA), que acusa o governante, em termos políticos e editoriais, de conduta considerada lesiva ao funcionamento da Justiça, apontando alegada indiferença institucional, perseguição a funcionários e bloqueio ao diálogo.

Em nota divulgada hoje, o secretariado nacional do SOJA afirma que o abaixo-assinado é expressão de um “profundo descontentamento e indignação” face ao tratamento dispensado à classe pelo titular da pasta da Justiça e dos Direitos Humanos.

Abaixo-assinado avança apesar de pressões

Segundo o secretário-geral do SOJA, Joaquim Teixeira, o processo de recolha de assinaturas decorre em todo o país e prolongar-se-á até antes do início da segunda fase da greve, com posterior remessa aos órgãos de soberania.

O líder sindical denunciou ainda a persistência de ameaças e represálias de vária ordem, assegurando, no entanto, que os oficiais permanecem firmes na decisão de avançar com o pedido de exoneração do ministro.

Para o SOJA, o silêncio do Ministério da Justiça tornou-se um símbolo de desprezo institucional e de degradação da dignidade da Justiça.

Reivindicações ignoradas desde 2022

De acordo com o sindicato, o ministro tem ignorado de forma reiterada as legítimas reivindicações da classe, apresentadas desde 2021 através de vários cadernos reivindicativos, sem resposta efectiva desde 2022.

Entre as exigências constam a aprovação do estatuto remuneratório, realização de concursos públicos de acesso, melhoria das condições de trabalho, unificação e actualização das remunerações e pagamento regular das comparticipações emolumentares.

Os oficiais reclamam ainda promoções, reconhecimento da carreira profissional e respeito pelo cidadão, assegurando um serviço público digno e eficiente.

Greves e acusações de perseguição

O SOJA acusa igualmente o ministro de uma “reacção hostil” às greves e de alegada perseguição aos funcionários aderentes, incluindo instruções para punições administrativas e descontos arbitrários nos salários, situação que, segundo os sindicalistas, ocorre desde 2023.

A segunda fase da greve está prevista entre 09 de fevereiro e 06 de março, seguindo-se uma terceira fase entre julho e agosto.

Para os oficiais de justiça, a actual liderança do Ministério da Justiça constitui um entrave ao diálogo e à reforma efectiva do sector.

Apelo directo ao Presidente da República

O abaixo-assinado será encaminhado ao Presidente da República, João Lourenço, bem como ao parlamento e a outros órgãos de soberania, com o pedido de exoneração do ministro, melhoria das condições laborais e abertura de um diálogo directo com acompanhamento da Presidência.

Durante a primeira fase da greve, em outubro, o Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos classificou a paralisação como “ilegal”, alegando incumprimento dos parâmetros jurídico-legais.

O conflito expõe mais uma fratura grave entre o discurso oficial de reforma da Justiça e a realidade vivida pelos seus principais executores.