Escândalos de corrupção envolvem o “PCA Pai Querido” da Sonangol
Antigos trabalhadores da Sonangol, que afirmam ter sido despedidos injustamente, responsabilizam o actual presidente do Conselho de Administração, conhecido como “Pai Querido”. Os ex-funcionários questionam o silêncio da gestão, passados vários anos desde a sua chegada à liderança da empresa, em 2017, quando substituiu Isabel dos Santos, filha do antigo Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.
Segundo os denunciantes, a empresa tem sido palco de diversos escândalos sob a actual administração, envolvendo alegados casos de corrupção, amiguismo, compadrio e esquemas irregulares. De acordo com as mesmas fontes, essas práticas teriam motivado o despedimento de um colectivo de trabalhadores considerados responsáveis e experientes.
Os antigos funcionários afirmam ter enviado várias exposições e pedidos de esclarecimento à administração, sem terem recebido respostas formais até ao momento.
Apelos por investigação independente
Organizações da sociedade civil e juristas defendem que:
- Os casos devem ser analisados por tribunais laborais;
- Devem ser realizadas auditorias independentes às decisões de gestão;
- A empresa precisa de mecanismos internos de denúncia e transparência.
Até ao momento, a administração da Sonangol não apresentou uma resposta pública detalhada às acusações específicas de despedimentos injustos feitas pelos antigos funcionários.
Um símbolo das disputas sobre o dinheiro público
O caso dos despedimentos e das denúncias internas surge num contexto mais amplo de disputas políticas e judiciais em torno da gestão dos recursos petrolíferos angolanos.
Durante décadas, a elite política ligada ao antigo regime foi acusada de beneficiar de contratos, concessões e negócios ligados ao petróleo, enquanto grande parte da população continuou a viver em condições precárias.
A actual administração enfrenta, assim, um desafio duplo: reestruturar a empresa para torná-la mais eficiente e, ao mesmo tempo, provar à opinião pública que a Sonangol deixou para trás práticas de favorecimento e opacidade.
