Governo Angolano Estagna Mais de 50 Programas com Apenas 19% do Orçamento Executado

Governo Angolano Estagna Mais de 50 Programas com Apenas 19% do Orçamento Executado

 

LUANDA – O Governo angolano enfrenta um cenário de baixo desempenho na execução dos seus programas para o ano de 2025. Segundo dados recentes, dos 52 programas governamentais em andamento, nenhum foi concluído na primeira metade do ano, e a taxa de execução orçamental não ultrapassou os 19%.

Com um orçamento total de 34,63 biliões de kwanzas (US$ 37,98 mil milhões), apenas 6,44 biliões de kwanzas (US$ 7,07 mil milhões) foram efetivamente utilizados.

 

Contraste entre a Saúde e Outros Setores

 

A análise dos dados revela um grande contraste na gestão dos fundos públicos. O Programa de Expansão e Melhoria do Sistema Nacional de Saúde, considerado o mais prioritário em termos de alocação orçamental com 807,59 mil milhões de kwanzas, teve uma execução de apenas 14%. Isso expõe a lentidão em transformar os recursos destinados à saúde em ações concretas para a população.

Em oposição, programas com orçamentos menores mostraram um desempenho notável. O Programa de Valorização e Dinamização da Cultura e o Programa de Reforço do Papel de Angola no Contexto Internacional alcançaram uma taxa de execução extraordinária de 243% cada. Enquanto a cultura absorveu 123,40 mil milhões de kwanzas, a vertente diplomática utilizou 8,09 mil milhões de kwanzas.

 

Quatro Programas com Execução Zero

 

A inércia é ainda mais evidente em quatro programas que não apresentaram qualquer movimento de execução orçamental até o segundo trimestre de 2025:

  • Programa de Desenvolvimento da Indústria da Defesa Nacional (alocados 494 milhões de kwanzas).
  • Programa de Fomento da Exploração e Gestão Sustentável dos Recursos Florestais (alocados 23,14 mil milhões de kwanzas).
  • Programa de Modernização e Expansão da Segurança Social (orçamento de 369 milhões de kwanzas).
  • Programa de Modernização e Preservação da Segurança do Estado (orçamento de 6,78 mil milhões de kwanzas).

A discrepância na gestão do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2025 levanta sérias questões sobre a capacidade do governo em priorizar e executar projetos de impacto social, enquanto outras áreas de menor peso político conseguem superar suas metas com folga.